Como começar a sua árvore genealógica

Genealogia

A Genealogia é a História das relações familiares entre indivíduos, sendo que normalmente o investigador (ou genealogista) estuda a sua própria ascendência. A árvore genealógica é a forma mais popular de organizar estes dados.

Embora seja possível realizar esta investigação sem recorrer a nenhuma ferramenta informática, recomenda-se o uso de algum suporte porque a partir de um dado momento, a organização dos dados torna-se obrigatória, tarefa que é simplificada com o recurso a ferramentas especializadas. Entre outras vantagens, além de permitir uma gestão mais simples da investigação genealógica, torna possível a partilha de dados com familiares ou mesmo outros genealogistas.

Ao começar o estudo da sua genealogia, deve contactar os seus familiares mais idosos e perguntar-lhes tudo o que se lembram da história familiar. Para além de ser um momento bem passado com eles, poderá ficar a par de alguns detalhes que de outra forma não seria possível desvendar (imigrações, ligações familiares desconhecidas, etc.). Esta também é uma boa altura para digitalizar as fotos de família antigas, solicitando assistência na identificação dos desconhecidos nessas fotografias.

Registos vitais

A genealogia debruça-se principalmente sobre os registos primários ou 'vitais': nascimento, casamento e óbito. Numa fase avançada ou por mero interesse, poderá ter de usar alguns registos secundários: passaportes, testamentos, processos de genere, etc. Estes não são tão comuns como os primários, mas podem permitir avançar na ausência dos registos primários.

De forma geral, os passos são os seguintes:

  1. Obtenha o assento de nascimento da pessoa. Nos assentos recentes vem indicado o nome, idade e localidade de origem de ambos os pais, e o nome dos avós. Poderão também existir 'averbamentos', com informação sobre o(s) casamento(s) ou o óbito dessa pessoa. Nalguns casos as testemunhas/padrinhos podem indicar outros graus de parentesco que também são úteis.
  2. Obtenha o assento de casamento dos pais da pessoa anterior. Neste virá indicado o nome, idade e localidade de origem dos noivos, e o nome dos pais dos noivos. Poderão também existir averbamentos sobre a dissolução do casamento.
  3. Se a pessoa em causa já é falecida, obtenha também o assento de óbito, recorrendo aos dados obtidos nos assentos anteriores.
  4. Repetir os passos anteriores, uma vez para o pai e outra para a mãe. Continuar o processo até esgotar todas as fontes de informação.

Dependendo do gosto pessoal, pode optar por começar por si, pelos seus pais ou pelos seus avós. Se, como recomendado acima, optar pelo uso de uma ferramenta informática, e a não ser que deseje manter várias bases de dados separadas, será sempre obrigado a começar por si, uma vez que é sempre obrigado a indicar algum parentesco com alguém já existente na base de dados.

Recolha de registos

Para obter os registos indicados acima, é necessário proceder de forma diferente conforme o ano em que o evento aconteceu:

  • Registos civis: Para eventos com menos de 100 anos (na prática desde 1911 até hoje)
  • Registos paroquiais: Para eventos com mais de 100 anos (na prática entre a segunda metade do século XVI e 1911)

Registos civis

Para eventos com menos de 100 anos, os registos que necessita estão na Conservatória do Registo Civil (CRC) do concelho respectivo. Como hoje em dia as CRCs funcionam em rede, não é obrigatório deslocar-se à localidade em causa, podendo solicitar os registos na CRC mais conveniente.

Antes de se deslocar à CRC, elabore uma lista com os seguintes dados para todos os assentos desejados: Nome completo da(s) pessoa(s), tipo de registo, data (o ano exacto basta) e localidade do evento, e ainda o nome dos pais. Dependendo da carga de trabalho do conservador, ou caso seja necessário solicitar dados a uma CRC externa, prepare-se para ter de regressar uns dias depois.

Dependendo do tipo de registo, é provável que o mesmo já tenha sido informatizado, Isso significa que, em vez do original manuscrito e assinado, irá receber uma impressão dos dados conforme estão inseridos na base de dados do IRN (Instituto dos Registos e do Notariado).

Refira claramente que deseja 'fotocópias não certificadas', uma vez que estas custam bastante menos que as 'certidões' (1-2€ ao invés de 20€). Caso não indique nada, o funcionário da CRC poderá assumir que necessita de uma certidão autenticada, e uma vez que este processo tenha ocorrido terá de pagar por ele. Infelizmente, no serviço Certidões Online onde é possível solicitar este tipo de registos online, a única opção disponível é a certidão autenticada. Se reside fora de Portugal, aconselha-se que peça a um familiar para se deslocar a uma CRC para efectuar o pedido presencialmente.

Registos paroquiais

Para eventos com mais de 100 anos, os dados que necessita estão num dos Arquivos Distritais ou no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Antes de 1911, o Registo Civil não existia nos moldes actuais, sendo que na maioria dos casos os registos pretendidos são os registos paroquiais. Felizmente para os genealogistas portugueses, em 1911 os registos paroquiais passaram para a tutela do Estado estando hoje guardados em instituições capazes de garantir a sua conservação para as gerações futuras. Isto também permitiu que a Sociedade Genealógica do Utah - através de um protocolo com o Governo Português - tenha procedido a partir de 1984 à microfilmagem de todos os registos paroquiais, e desde 2007, à colocação em linha de versões digitais, sendo este um projecto ainda em curso. Existem já largos milhares destes livros disponíveis nos sites dos vários Arquivos. Este site - o tombo.pt - simplifica bastante este tipo de pesquisa, ao agregar numa única página todos os livros referentes a uma dada paróquia, independentemente do Arquivo onde esse livro se encontra.

Dentro dos registos paroquiais, existem três grandes períodos:

  1. do séc. XVI até finais do séc. XVII: formato de livre escolha pelo pároco, estes registos contém apenas o essencial, não sendo possível fazer dupla verificação por insuficiência de dados
    • Baptismos: nome da criança, pais, padrinhos e data do baptismo.
    • Casamento: nomes dos noivos e padrinhos, data do matrimónio
    • Óbitos: nome, indicação de viuvez, data do óbito
  2. de finais do séc. XVII até 1860: apesar de variarem de diocese para diocese, estes registos já permitem algum cruzamento de dados
    • Baptismos: inclui naturalidade dos pais
    • Casamento: naturalidade dos noivos, nomes dos pais
    • Óbitos: nome do cônjuge
  3. de 1860 até 1911: os registos foram uniformizados por força do decreto de 19 de Agosto de 1859, contendo informação muito detalhada
    • Baptismos: inclui nomes dos avós
    • Casamento: idade dos noivos, naturalidade dos pais
    • Óbitos: nomes dos pais e naturalidade

Paleografia

Para a compreensão dos registos paroquiais mais antigos é também necessário algum conhecimento sobre Paleografia. Quer sobre a caligrafia da época, como especialmente sobre as abreviaturas que eram usadas. Aconselham-se os seguintes recursos para avançar os seus conhecimentos de Paleografia:

  • Basic Portuguese Paleography (em Inglês), Departamento de História da Família da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 1978: Parte 1, Parte 2, Parte 3 e Parte 4 (informação obtida na Wiki de Pesquisa Genealógica)
  • Paleografia Portuguesa Básica (em Português), Departamento de História da Família da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 1978.
    • Existe uma versão adaptada deste texto aqui.
  • Abreviaturas paleográficas portuguesas, Eduardo Borges Nunes, Faculdade de Letras, 1981.